Encontre facilmente o procura no Vencer na Bolsa - digite palavra(s) chave(s):





Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos de bolsa - Ulisses Pereira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos de bolsa - Ulisses Pereira. Mostrar todas as mensagens

Olhando para nós mesmos (Artigo de bolsa - recomendações)

|

Deixo-vos aqui um artigo do Ulisses Pereira (Jornal de negócios Online) que contém recomendações muito importantes para quem investe na bolsa de valores.
Aqui fica o artigo na integra:


Ulisses Pereira

Há recomendações que considero importantes para quem dá os primeiros passos nos mercados. Mas há outras que são dirigidas a quem já negoceia há algum tempo mas ainda não atingiu a maturidade como investidor. São algumas reflexões sobre estas últimas que vão merecer a minha atenção hoje.

Não há uma solução mágica para triunfar no mercado.
Muitos investidores vivem obcecados por encontrar o “Holy Grail” que lhes irá fazer ganhar muito dinheiro nos mercados. Mas, enquanto andam preocupados em descobrir essa fórmula milagrosa, esquecem-se que não há soluções perfeitas e que é no controlo das nossas próprias emoções que está a chave para o sucesso.


Procure a emoção e a adrenalina noutro lugar.
Muitos olham para a Bolsa como uma forma de entretenimento e excitação, de forma a poderem obter prazer pela adrenalina envolvida neste mundo. Não lhes nego esse direito. Contudo, já que – muitas vezes inconscientemente – esse acaba por ser o seu objectivo primordial, fá-los tomar decisões que prejudicam a sua carteira. Se quer emoção e adrenalina, compre uma consola, vá até a uma feira de diversões ou até um casino. Na Bolsa, o preço do bilhete pode vir a ser demasiado caro.


Não feche os olhos aos sinais de aviso.
Quando sofremos uma perda muito pesada, quase sempre é antecedido de um sinal de perigo fornecido pelo mercado. No entanto, fechamos os olhos a esse sinal, tal a vontade que temos em que a nossa posição tenha sucesso e nem nos apercebemos que o barco se está afundar e que talvez o melhor seja mesmo pegar no colete salva vidas!


Avalie a sua corretora.
Muitas vezes, a inércia faz com que não mudemos de corretora. Só no final do ano, quando fazemos as contas ao total de comissões pagas ou ao número de vezes que a ineficiência da nossa corretora nos prejudicou, é que pensamos em quão decisivo é termos a melhor corretora no que diz respeito à relação eficiência/preço. E se chegar à conclusão que outra corretora lhe proporcionará melhores condições, diga isso à sua corretora e, algumas vezes, terá a surpresa de ver as suas comissões serem reduzidas…


Nunca transforme um negócio de curto prazo num negócio de longo prazo.
É óbvio que existem excepções, mas a maior parte das vezes em que um investidor decide transformar um “trade” de curto prazo num investimento de longo prazo é sinal que as coisas correram mal e, ao invés de cortar as perdas, o investidor está a tentar fechar os olhos e não assumir o erro, alterando o horizonte temporal como subterfúgio.


Corte as suas perdas e deixe correr os ganhos.
Bem sei que este é um tema recorrente nos meus escritos, mas não consigo deixar de lhe fazer referência dado o seu carácter decisivo para o sucesso de cada investidor. Bem sei que custa deixar correr os ganhos quando a tentação de realizar mais valias e ficarmos orgulhosos é grande. Bem sei que cortar as perdas e assumir que cometemos um erro não é fácil. Mas também sei que só aplicando esta regra podemos ter sucesso. O que prefere? Acertar o dobro das vezes que erra e perder dinheiro ou errar mais vezes do que acerta e ganhar bastante dinheiro?


Disciplina. Disciplina. Disciplina.
Já é um lugar comum em quaisquer artigos sobre mercados financeiros recordar que é essencial ser-se disciplinado. Há uns anos atrás privei com um dos mais brilhantes analistas que já conheci. Era simplesmente fantástico na forma como traçava os cenários e as hipotéticas reacções do mercado. Mas foi sempre um “trader” falhado pois, no calor do momento, acabava por contrariar tudo aquilo que tinha planeado e a emoção ganhava a batalha à disciplina.


Aproveite ao máximo os seus bons momentos e pare nas alturas más.
Muitas vezes os investidores assemelham-se aos mercados – quando estão num bom momento, tudo parece correr bem; quando estão numa má fase, tudo parece descarrilar. Há alturas em que os investidores estão com a “mão quente” e tudo o que tocam parece transformar-se em ouro. Nesses momentos, há que continuar a negociar fortemente pois o investidor está a fazer uma perfeita leitura do mercado e, até que o estado de graça termine, há que tentar aproveitá-lo ao máximo. Noutras alturas, o investidor está completamente em baixo, falhando negócios atrás de negócios. Nessa altura, a solução é parar pois, psicologicamente, a sua fragilidade momentânea faz com que as probabilidades de insucesso sejam enormes.




Autor do texto: Ulisses Pereira.
Fonte: Jornal de negócios Online.

O grande circo da Bolsa (Artigo de bolsa)

|

Gostei muito deste artigo, aconselho "novatos" ou "experts" a lerem.
Sem dúvida que o Ulisses toca em pontos muito interessantes, como por exemplo a incentivação ao daytrading por parte das corretoras com o objectivo de conseguirem comissões, o caso dos analistas, etc.

Aqui fica o artigo:



Ulisses Pereira

Quando alguém começa a investir em Bolsa, mesmo reconhecendo a sua falta de experiência, acredita conseguir identificar e perceber o papel de uma série de pessoas e entidades que estão envolvidas no mundo dos mercados.

Contudo, após alguns anos, o investidor começa a perceber que os papéis não são tão claros assim, coloca em causa as ideias que tinha e – finalmente - entende o verdadeiro papel dos actores, naquilo a que costumo apelidar de “Grande circo da Bolsa”.

Quero, no entanto, frisar que há excepções a este padrão que identifico e são esses aqueles que têm verdadeiro valor neste circo.

As corretoras:
Quando alguém se inicia nos mercados financeiros, olha para as corretoras como uma entidade prestadora de serviços, procurando de uma forma imparcial assegurar a satisfação das necessidades do investidor. Mas, à medida que vão pedindo aconselhamento junto dos corretores, começam a perceber que na maior parte das vezes é incentivada a negociação, mesmo em momentos muito calmos do mercado.

As corretoras incentivam os investidores a negociar, tentando maximizar as suas comissões. O mais claro exemplo disto é a forma como as corretoras tentam massificar o “daytrading”, com publicidade muito agressiva, quase que levando a pensar que é isso que vai garantir o sucesso aos investidores.

Os jornalistas:
“Os jornalistas que cobrem a bolsa sabem do que falam e é obrigatório lê-los diariamente para entender os movimentos do mercado”, é isto que acredita um investidor que está a dar os primeiros passos no mercado. Contudo, quanto mais percebe dos mercados mais fica revoltado com algumas notícias que lê.

Os jornalistas que escrevem sobre os mercados são pagos para produzir notícias e comentários. É esse o seu papel, mesmo nos momentos em que nada há para dizer. Há movimentos que não têm qualquer justificação teórica; simplesmente houve uma maior pressão compradora (ou vendedora) sem qualquer motivação lógica. Mas os jornalistas têm que inventar essa explicação, pois quem compra os jornais ou ouve a rádio, fá-lo para saber o porquê desses movimentos. A mente humana está sempre à procura de explicações para tudo. Mesmo para aquilo que não tem explicação.

As empresas:
A ideia de que as empresas cotadas em Bolsa apenas condicionam o mercado pelos seus resultados e desempenho está longe de ser verdadeira. Cada vez mais, as empresas influenciam os mercados pela forma como comunicam e pela escolha dos momentos adequados para o fazer.

Em Portugal, ainda estamos longe da perfeição em termos da gestão das notícias, mas já há algumas empresas que são mestres na arte de escolher a altura certa para divulgar as notícias.

As Bolsas:
Talvez tenha sido sobre esta entidade que há menos tempo mudei o meu pensamento desde que comecei a interessar-me pelos mercados. Até há bem pouco tempo, acreditava que as entidades gestoras das Bolsas faziam tudo para promover a difusão da informação e assegurar que um cada vez maior número de investidores fosse captado para o mercado.

Mas quando, por exemplo, um site financeiro quer disponibilizar cotações em tempo real para os seus utilizadores, as Bolsas exigem uma quantia muito elevada, é sinal que esse está longe de ser o objectivo. Aliás, não é por acaso que muitas das corretoras on-line portuguesas, está a deixar de fornecer cotações em tempo real de uma forma gratuita.

Os analistas:
Quando alguém começa a dar os primeiros passos nos mercados financeiros, procura avidamente as análises das mais prestigiadas casas de investimento, fixando o seu olhar nos preços alvos por eles apontados. Contudo, a maior parte das vezes percebem que as análises muitas vezes são distorcidas e produzem maus resultados.

Os últimos anos são exemplos claros das falhas dessas análises e alguns escândalos ocorridos mostraram que muitas análises produzidas não são imparciais. Os “downgrades”, “upgrades” e preços alvo muitas vezes são fruto dos interesses dessas casas de investimento.

Os investidores:
O investidor, afinal de contas, é aquele que vai pagar o preço de tudo isto. É ele que compra os jornais para ler as notícias dos mercados, paga as taxas de bolsa, compra os “researchs” e paga as comissões de corretagem.

É ele que alimenta o grande circo da bolsa, é ele que tem que pagar o espectáculo à custa do qual sobrevive muita gente. Claro que, com uma estratégia correcta, ele poderá ganhar muito dinheiro nos mercados mas tem que estar consciente que, à partida, começa logo em desvantagem.

“The show must go on”.

Autor do texto: Ulisses Pereira.
Fonte: Jornal de negócios Online.

A guerra das análises (artigo de bolsa)

|

Interessante artigo de bolsa do Ulisses Pereira sobre a análise técnica e a análise fundamental.
Aqui fica o artigo:



Ulisses Pereira


Um dos debates mais acesos e intermináveis sobre os mercados coloca frente a frente a análise técnica e a fundamental. É uma das mais apaixonantes discussões com os defensores de ambas as análises a esgrimirem argumentos quase sempre de uma forma acalorada.

Para aqueles que estão menos familiarizados com estas questões, penso ser importante começar por explicar em que consistem ambos os tipos de análise. De uma forma simplista, pode dizer-se que a análise fundamental consiste no estudo da actividade de uma empresa, do sector em que está envolvida e da economia em geral, projectando as previsões de evolução de todos estes factores de forma a tentar perceber-se qual o valor intrínseco da empresa e, consequentemente, da acção. Se a acção está cotada abaixo disso, é aconselhável comprar e se estiver cotada acima, deve-se vender.

Já a análise técnica não se preocupa minimamente com os factores que influenciam o desempenho da empresa, limitando-se a seguir o desempenho de uma acção no mercado e, através do estudo dessa evolução, procurar perceber qual o rumo que a acção pode tomar. A análise técnica defende que todas as notícias e expectativas estão incorporadas nas acções. O facto do comportamento das massas obedecer a determinados padrões ajuda a tentar perceber qual o futuro de uma dada acção tendo em conta o seu desempenho passado.

O que primeiro gostaria de realçar é que qualquer postura dogmática nesta “guerra” entra a análise técnica e fundamental me parece completamente desajustada. Um investidor pode obter excelentes resultados com a análise fundamental e outro com a análise técnica. Em Bolsa, o que é importante é que usem um método que lhes permita ter sucesso e que se adapte às suas características.

Acredito que, no longo prazo, as cotações se movem em função dos fundamentais das empresas e da economia em geral. Contudo, no curto prazo, acredito que a análise técnica é, sem dúvida, a mais poderosa arma ao serviço dos investidores para os auxiliar a tomarem as suas decisões.

No curto prazo, não acredito serem os fundamentais que comandam o rumo do mercado. São factores, sobretudo, de carácter emotivo que fazem oscilar as cotações e acredito ser possível ler, nos gráficos, as emoções dos investidores. O medo, a ganância, as hesitações, o “inside trading”, tudo isso é possível de ser observado nos gráficos e são esses sentimentos que fazem mover as acções no curto prazo.

De que vale saber que a empresa X está, em termos fundamentais, subavaliada se ela pode permanecer nesse estado durante largos anos? O mercado é feito de longos períodos de irracionalidade que podem tornar-se extremamente dolorosos para quem o tenta contrariar.

Outro dos factores que me faz privilegiar, em termos de curto prazo, o uso da análise técnica em detrimento da fundamental é que nem todos têm acesso em simultâneo à informação dos dados que influenciam a análise fundamental enquanto que, para a análise técnica, basta o preço e o volume que é acessível, em simultâneo, a todos os investidores.

O exemplo mais flagrante é o caso da saída de notícias relevantes em relação a uma empresa. Nesse momento há uma alteração dos fundamentais, mas há sempre investidores que têm acesso a essa informação antes dela ser divulgada. Isso muitas vezes é bem visível nos gráficos com uma variação clara da cotação nas vésperas desse acontecimento. E são essas pessoas que compraram as acções antes da notícia ser divulgada que vão vender as suas acções ao pequeno investidor que, ao ouvir a surpreendente notícia, vai a correr comprar acções. Infelizmente, na maioria dos casos, para depois assistir à sua queda.

Em suma, em termos de médio e longo prazo acredito que a análise fundamental seja o melhor instrumento para a tomada de decisões no mercado mas, no curto prazo, acredito que a análise técnica é a melhor forma de percebermos a relação de força e sentimentos no mercado que vão determinar a evolução das cotações. E, para isso, não precisamos de notícias, informações privilegiadas ou bons contactos. Basta-nos o preço e o volume.

Autor do texto: Ulisses Pereira.
Fonte: Jornal de negócios Online.

As minhas verdades (artigo de bolsa)

|

Gostei deste artigo pois permite "alertar" os investidores de que as verdades que eles criam são verdades para eles e não significa que sejam para os outros ou que o mercado assuma tal como verdades absolutas.
Penso que quem o ler poderá assim meditar sobre as suas próprias verdades e analisar os seus próprios comportamentos face aos seus investimentos.
Aqui fica ao texto do Ulisses Pereira:

Título: As minhas verdades

Ao longo dos anos, o mercado vai-nos ensinando muito. Lições que acabamos por assumir como "verdades" para nós. São as minhas "verdades" que hoje partilho convosco.

- O seu estilo de negociação tem que ser coerente com a sua personalidade e o seu estilo de vida. Caso contrário, será muito complicado ter sucesso. Esta é uma das razões pelas quais eu nunca poderia ser um rápido e agressivo "day-trader". Não me está no sangue.

- Os gráficos podem levá-lo a conclusões erradas mas nunca mentem. Contudo, as pessoas podem mentir. Isto é algo para os analistas fundamentais meditarem. Os escândalos no sector bancário têm vindo a reforçar esta minha convicção. Um dos grandes riscos das análises fundamentais é nunca termos a certeza que estamos a trabalhar com números credíveis.

- As pessoas são muito melhor a olharem para o futuro do que os gráficos são. Isto é algo para os analistas técnicos meditarem. Sou um analista técnico e acredito nas enormes virtudes deste método. No entanto, não sou fanático ao ponto de não reconhecer as limitações que a análise técnica tem. Não há métodos infalíveis e este não é excepção. Tentar prever o comportamento do mercado daqui a 2 ou 3 anos com base na análise técnica é, na minha opinião, pura feitiçaria.

- Por norma, os meus piores dias de negociação foram quando eu violei o meu método e não quando o mercado esteve mau. Já enfrentei dias de euforia, em que o Nasdaq ganhou mais de 9% ou dias de autêntico pânico em que a Bolsa portuguesa esteve a cair mais de 15% e nunca foram esses dias que abalaram decisivamente a minha carteira. Quando, por força da emoção do momento ou de algum descontrolo emocional, violei o meu método, aí sim tive os meus piores dias no mercado. É por isso que, cada vez mais, acho que não é o facto de um mercado estar em alta ou em baixa que dificulta a tarefa de um investidor, mas sim a sua falta de disciplina e auto-controlo.

- Quando estiver preocupado, provavelmente, não deverá negociar. Exceptuando aqueles que negoceiam através de sistemas automáticos, a componente psicológica do "trading" assume um papel decisivo. Quando um investidor não está bem psicologicamente, centrando os seus pensamentos longe do mercado, o melhor é não negociar pois a tendência é para cometer erros e perder a sua frieza.

- É natural errarmos quando negociamos. Mas já não é natural continuarmos errados. Frequentemente, os investidores cometem erros. Faz parte do dia-a-dia de quem se dedica aos mercados. Contudo, é essencial que se perceba o erro que cometeu e que o corrija. Permanecer agarrado à sua posição, não querendo abrir os olhos aos sinais de erro que o mercado está a dar, é meio caminho andado para o insucesso.

- O "daytrading" pode ser lucrativo, mas as percentagens jogam claramente contra si, especialmente em Portugal. Apesar das campanhas agressivas de bancos e corretoras, o número de "daytraders" é cada vez menor. Apesar de ser possível ter sucesso com uma estratégia de puro "daytrading", considero ser bastante mais difícil atingi-lo do que com um horizonte temporal mais alargado. E, mesmo que os seus resultados sejam lucrativos, o desgaste psicológico e a incapacidade de negociar cada vez maiores quantidades irão limitar a sua longevidade e prosperidade.

- Quando começar apenas a "ter esperança" nas suas posições abertas, normalmente, o melhor a fazer é fechá-las. Sempre que me sinto com uma posição em aberto apenas pela "esperança" que corra bem, é sinal que algo se alterou face aos pressupostos que me fizeram abrir essa posição. Isso é o maior sinal que posso ter que está na hora de fechar essa posição, independentemente dos prejuízos que esteja a ter.

Verdades absolutas? Não as há. Estas são as minhas.

Autor: Ulisses Pereira
Fonte: Jornal de Negócios

A certeza paga-se caro (artigo de bolsa)

|

Quando alguém me diz que tem a certeza que uma acção vai atingir aquele valor ou que um índice se vai comportar de uma determinada forma, franzo logo o sobrolho. Ninguém sabe o que o mercado vai fazer amanhã. Ninguém. E, se alguém o afirma, é sinal de desonestidade ou de ingenuidade.

Mesmo em situações em que um investidor recebe uma informação privilegiada de uma empresa e negoceia com base nessa informação, praticando o crime de "inside trading", tem sempre que colocar a hipótese de algo se alterar porque, de um dia para o outro, os cenários podem mudar e aquilo que parecia uma verdade irrefutável transforma-se numa enorme desilusão.

Quando temos certezas sobre o mercado cometemos uma série de erros que acabam por nos custar muito caro. O primeiro grande erro é considerarmos que somos mais inteligentes do que o mercado, o que é o mesmo que dizer que nos julgamos mais espertos que os outros investidores. Será que os outros não poderão já ter tido o mesmo raciocínio do que nós anteriormente e que nós não estaremos a ser os últimos a entrar, o que nos levará a entrar na pior altura?

O segundo grande erro é que o excesso de confiança leva a que as posições tenham uma dimensão muito maior do que seria aconselhável. Isto faz com que, caso as nossas "certezas" fracassem, as perdas possam ser demasiado elevadas. E quem anda há muito tempo no mercado sabe que recuperar de perdas fortes é uma tarefa árdua e não está ao alcance de todos, sobretudo porque requer uma enorme disciplina mental para não fazer negócios desesperados.

O terceiro e último erro é não conseguirmos admitir que as nossas certezas não passaram de ilusões. Quando a nossa convicção atinge um nível demasiado elevado, mesmo quando o mercado – dia após dia – nos prova estarmos errados, não conseguimos admitir esse mesmo erro e mantemos uma teimosia assustadora que nos impede de fechar as posições que abrimos. Isto exponencia a dimensão do segundo erro, o que leva a perdas assustadoras que podem mesmo chegar à falência, sobretudo se estivermos a negociar em produtos alavancados.

Este terceiro erro é o mais grave de todos porque pode provocar perdas quase irreparáveis. Parece um erro difícil de acontecer mas é mais comum do que se possa pensar, sobretudo se não nos esquecermos que abrimos uma determinada posição com a certeza de que ela iria ter sucesso. Muitas vezes, todos os pressupostos que considerámos para termos a certeza daquilo que iria acontecer já deixaram de existir mas, mesmo assim, continuamos com os olhos fechados à realidade e presos às nossas convicções quase dogmáticas.

A flexibilidade mental é das características que considero mais fundamentais para o sucesso de um investidor. Quem não consegue desligar-se dos seus preconceitos, da sua realidade e permanece agarrado às suas convicções, sem sequer reflectir sobre elas, acaba por fracassar, mais tarde ou mais cedo. Os mercados exigem que, constantemente, estejamos a reavaliar as nossas posições e os nossos pensamentos. A realidade altera-se e nós teremos sempre que pensar se isso pressupõe uma alteração daquilo que projectámos.

Uma das formas que encontro para me tentar tornar mais flexível, em termos de mercados, é tentar colocar-me na situação oposta à que estou. Por exemplo, se estou optimista numa determinada acção, adoro ler opiniões contrárias à minha e, quando não as encontro, eu próprio faço o papel de "advogado do Diabo" e procuro encontrar argumentos que pudessem justificar uma posição oposta à minha. Este processo faz-me reflectir, assumindo um papel essencial no meu "trading". Já várias vezes fechei posições depois deste processo reflectivo, mas devo confessar que também, em outras ocasiões, o vazio de argumentos opostos, me fez reforçar a minha posição.

Faça um favor a si próprio – desconfie sempre. Mesmo quando tem a certeza.

Autor: Ulisses Pereira
Fonte: Jornal de Negócios

O cesto da vitória (artigo de bolsa)

|

O ataque ganha jogos. A defesa ganha campeonatos . Esta velha máxima da NBA é mais uma daquelas que penso ser crucial aplicar-se ao trading . Por muito espectacular que possam ser os grandes ganhos, é o lado defensivo que permite ao investidor manter-se em jogo e preservar o seu capital.

“Falhei mais de 9000 lançamentos na minha carreira. Vinte e seis vezes, fui escolhido para fazer o lançamento decisivo e falhei. Falhei inúmeras vezes durante a minha vida. E foi por causa disso que eu tive sucesso.”

Michael Jordan

Amante do desporto e dos mercados, não resisto a fazer um paralelismo, tal a similitude que encontro entre ambos. Acredito que para se vencer nos mercados e no desporto são necessárias certas atitudes mentais que são bem mais importantes que as capacidades técnicas.

Michael Jordan foi o melhor jogador de basket de sempre, não apenas pelas suas fantásticas qualidades técnicas e físicas. A sua atitude de vencedor fazia dele um atleta excepcional. Ele sabia que, para marcar os cestos da vitória que iriam ficar para a história, teria que falhar outros. O erro faz parte do jogo e ele, mais do que ninguém, percebia isso.

Um “trader” tem que ter a mesma postura face ao mercado. Muitos investidores fracassam por não admitirem os erros, por não perceberem que ele faz parte da vida normal de qualquer investidor de sucesso. Os maiores “traders” do mundo não erram apenas esporadicamente. Erram regularmente e nem por isso deixam de ter sucesso.

Michael Jordan não era apenas um grande atleta (dele se dizia que podia ter sido campeão olímpico em inúmeras modalidades) com uma extraordinária técnica. Ele tinha uma atitude mental de um verdadeiro campeão, focando-se na vontade de ganhar e na auto-confiança. Eu continuo a insistir que não basta alguém ter óptimos conhecimentos sobre os mercados e ser um óptimo “analista” para ser um investidor de sucesso. Tal como no desporto, é fulcral ter uma mentalidade vencedora, forte e que não se deixe abalar pelos primeiros fracassos.

Há momentos, no basquetebol, em que um jogador está verdadeiramente imparável e que todos os seus lançamentos são cestos. Nestes momentos, costuma-se dizer que o jogador está com a “mão quente”. Nessas alturas, ele deve tentar explorar ao máximo o seu estado de graça, tentando lançar o maior número de vezes possível até falhar e sentir que perdeu o ritmo.

Também nos mercados há momentos em que os investidores estão com a “mão quente”. Nessas alturas, tudo o que tocam parece transformar-se em ouro e o investidor deve aproveitar ao máximo essa sua inspiração. No fundo, é mais do que inspiração - é um momento em que o investidor está a “ler” correctamente o mercado e a perceber exactamente quais os seus movimentos.

“O ataque ganha jogos. A defesa ganha campeonatos”. Esta velha máxima da NBA é mais uma daquelas que penso ser crucial aplicar-se ao “trading”. Por muito espectacular que possam ser os grandes ganhos, é o lado defensivo que permite ao investidor manter-se em jogo e preservar o seu capital.

Não será, com certeza, das pequenas perdas que rezará a História dos grandes negócios nos mercados mas, muitas vezes, é o assumir dessa postura defensiva que permite a alguns “traders” manterem-se em jogo.

Por isso, por muito que sejam propensos ao risco e às emoções fortes, mantenham sempre um lado defensivo. É que a maioria dos investidores só pensa no pontapé de bicicleta que, caso resulte, irá resultar num golo fantástico e que passará dezenas de vezes nas estações de televisão. Contudo, esquecem-se que toda a equipa está no ataque e, caso falhe o pontapé, o adversário pode acabar com o jogo num contra ataque fatal.

Por muito que os jogadores pareçam diferentes dos “traders”, a verdade é que na questão psicológica para alcançarem o sucesso têm que ter posturas muito semelhantes, sobretudo na forma de encarar aquilo que fazem. E, por favor, nunca se lembre de culpar os árbitros. Esse é o género de atitudes que só os derrotados têm.
Autor: Ulisses Pereira.
Fonte: Jornal de negócios.

Entrevista com um investidor perdedor

|

Normalmente, apenas os “traders” de sucesso são entrevistados. Aquilo que hoje vos proponho é uma entrevista virtual com um investidor perdedor a quem dei o nome de Francisco Palito. Nas suas respostas encontraremos as explicações para o facto de perder dinheiro nos mercados.

Ulisses Pereira: Boa tarde, Chico. Penso que deve ser das primeiras vezes que alguém entrevista e dá destaque a um investidor perdedor.

Francisco Palito: Perdedor, eu? Deve estar enganado. Nunca me dei ao trabalho de calcular os meus ganhos e perdas ao longo dos anos na Bolsa, mas estou convencido que tenho ganho muito dinheiro. Só mesmo quem for muito pouco esperto é que não consegue ganhar dinheiro a sério no mercado.

Ulisses: Qual é seu método?

Chico: Método? Eu não uso método nenhum. Guio-me apenas pela minha intuição e negoceio ao sabor dos meus “feelings”. E quando vejo que saiu uma boa notícia sobre uma empresa, compro. Pelo contrário, se ao ler o jornal vejo uma má notícia sobre uma empresa, vendo.

Ulisses: Se as acções que comprou começarem a cair, mostrando que estava errado, que decisão toma? Vende?

Chico: Só se fosse muito ingénuo é que eu fazia isso. Eu sei que não estou errado, o mercado é que às vezes demora um pouco a reagir como deve. Nunca vendo uma acção a perder, isso é atitude de investidor perdedor. Quando as minhas acções estão a cair, compro ainda mais para baixar o meu preço médio de aquisição.

Ulisses: E quando as acções que comprou sobem, qual é a sua postura?

Chico: Mal sobem um bocadinho, obviamente que as vendo. Já ando nisto há tempo suficiente para saber que qualquer ganho é para ser aproveitado rapidamente. O meu objectivo é ganhar mais vezes do que perco.

Ulisses: Mas já pensou que talvez fosse preferível ganhar menos vezes mas mais dinheiro de cada vez que ganha? Há investidores que apesar de errarem mais vezes do que acertam, conseguem ter excelentes resultados!

Chico: Falhar mais do que acertam? Alguma vez na vida isso me satisfaria?

Ulisses: De que forma é que reage quando perde?

Chico: Quando perco fico furioso e sem conseguir perceber como tal foi possível. E, obviamente, procuro voltar a negociar rapidamente e com mais dinheiro ainda, de forma a poder recuperar num ápice tudo o que perdi, vingando-me assim do mercado.

Ulisses: Pelo que eu estou a ver, você deve ser um investidor muito activo. Não tem momentos em que pára, tentando olhar friamente para o mercado e esperando uma excelente oportunidade para negociar? Deixe-me adivinhar... o máximo de tempo que esteve sem negociar foi uma semana. Acertei?

Chico: Se eu estivesse uma semana sem negociar morria de tédio! O máximo que estive sem negociar foi um dia e já me custou imenso. Eu estou constantemente a negociar porque só assim posso enriquecer rapidamente e porque ando nisto da Bolsa também pela adrenalina, excitação e risco.

Ulisses: Por falar em risco, costuma diversificar os seus investimentos em diversos activos financeiros?

Chico: Não. Quando vejo uma oportunidade, coloco todo o meu dinheiro nesse negócio e sempre que possível tento negociar em produtos alavancados, como por exemplo os “warrants”, pois assim permite-me multiplicar os meus lucros.

Ulisses: E as perdas também...

Chico: Caro Ulisses, se alguém antes de fazer um negócio admite que o pode perder, então essa pessoa só pode ser um investidor derrotado. Por isso, eu nunca admito que posso perder!

Identificou-se nas respostas do Francisco Palito? É sinal de que há algo na sua atitude face ao mercado que deve mudar se quer ganhar dinheiro em Bolsa. Ou quem sabe aquilo que procura na Bolsa é apenas a adrenalina e excitação que o Chico falava?
Autor: Ulisses Pereira
Fonte: Jornal de Negócios

8 razões para perder dinheiro na Bolsa

|

8 razões para perder dinheiro na Bolsa, Autor: Ulisses Pereira - Caldeirão de bolsa

"Porque é que falham os traders?", era apenas este o conteúdo de um mail que um leitor me enviou. Confesso a minha perplexidade ao ler esta pergunta mas, ao reflectir um pouco sobre ela, acabei por a achar curiosa e procurei obter respostas para a pergunta efectuada.

Deixo aqui alguns dos motivos pelos quais a maior parte das pessoas perdem dinheiro na bolsa.

1. A pressa de ganhar. Este é um erro muito comum entre aqueles que se iniciam no mercado bolsista. Atraídos pelo lucro fácil, sonham em tornar-se milionários de um dia para o outro. Fazem negócios de alto risco, colocando "os ovos todos no mesmo cesto". Alguns chegam, inclusivamente, a recorrer ao crédito para assim tentar chegar mais rapidamente à fortuna. Geralmente, só percebem que não se enriquece de um dia para o outro quando a sua conta estiver reduzida quase a zero.

2. Baixar o preço médio. Quando as acções que têm em carteira começam a cair, a reacção normal dos investidores é comprar mais para baixar o preço médio. Se ela continuar a cair, compram mais. Este é, geralmente, um dos caminhos para o insucesso. Se o mercado está a ir na direcção contrária ao que os investidores esperavam, por norma, eles tendem a pensar que quem está errado é o mercado e não eles. Ao contrariarem-no, acabam por colocar todo o seu capital numa posição perdedora onde poderão ter que esperar anos para recuperar o seu capital inicial.

3. Pensar que se encontrou a receita mágica. Lamento desiludir alguns leitores mas, se pensam que descobriram a receita milagrosa para ganhar em bolsa, estão enganados. Não há receitas mágicas, nem análises perfeitas, nem óptimas pontos de entrada, nem infalíveis pontos de saída, nem negócios com 100% hipóteses de sucesso. Negociar é, acima de tudo, um jogo de probabilidades onde devemos tentar estar do lado onde haja mais probabilidades de ganhar. E se algum de vós, alguma vez , julgar ter encontrada a receita mágica e infalível pensem- pelo menos - que não dura para sempre.

4. Não ser consistente. Depois de começarem a perceber que não há receitas mágicas, os investidores começam a fazer exactamente o oposto, ou seja, usam um estilo de negociação diferente todos os dias. Este é um dos piores erros possíveis. Isto leva as pessoas a negociarem sem o mínimo de método, comprando e vendendo acções quase sem perceber porque o fazem. Podem ter a sorte de fazer alguns negócios fabulosos e até de ter um ano fantástico mas, garanto-vos, é impossível ganhar durante vários anos, consistentemente, mudando todos os dias de estilo e método.

5. Forçar negócios. Quantas vezes já negociaram sem convicção daquilo que estavam a fazer? Se a resposta for "muitas", há razões para reverem a vossa atitude perante o mercado. Inúmeras vezes, os investidores negoceiam apenas pelo prazer de negociar, sem ter motivos fortes para o fazer. Pode divertir mas duvido que não seja mais uma forma de perder dinheiro em bolsa.

6. Falta de confiança. A confiança em nós próprios é fundamental para termos sucesso no mundo exigente dos mercados financeiros. Quando não a temos, negociamos com medo e estamos constantemente a duvidar da nossa posição o que leva a que, mais tarde ou mais cedo, fechemos a posição porque não conseguimos aguentar a pressão psicológica. Geralmente, isto acaba por originar fechos de posições na pior altura possível. Como é que se constrói a confiança? São precisos anos e anos de mercado e, mesmo assim, há pessoas que nunca conseguem adquiri-la. É também por isso que afirmo que os mercados são duros para quem se inicia.

7. Excesso de confiança. Ter excesso de confiança é também fatal para quem quer ganhar dinheiro em bolsa. Por muito bom que um investidor se julgue ser, ele não deve nunca perder o respeito por esse "bicho" que dá pelo nome de mercado. Acreditar que somos mais espertos que o mercado costuma trazer-nos grandes dissabores. E, neste caso, posso garantir-vos que há algum tempo sofri na pele as consequências de ter excesso de confiança. Serviu-me de lição. "O mercado tem sempre razão". Sempre. Até quando não tem...

8. Falta de sorte. Deixei para o fim aquela que costuma ser a primeira justificação dos investidores para o seu próprio insucesso. A sorte não deve ser a principal razão para se justificar as perdas em bolsa mas seria um grave erro ignorar a sua importância. Por mais correcta que seja a postura e análise de um investidor, basta um momento de azar para deitar tudo a perder. Para minimizar isto, a diversificação de investimentos é fundamental. Convém não esquecer que "a sorte protege os audazes".

Deixei aqui aquelas que considero serem as principais razões para se perder dinheiro em bolsa. Fico à espera de receber sugestões vossas (ulissespereira@hotmail.com) para, daqui a um tempo, poder escrever mais outras 8 razões.

Ulisses Pereira

Amo-te, querida acção

|

Ulisses Pereira - Caldeirão de Bolsa

Amo-te, querida acção

Um grande amor pode ser entusiasmante e dar um novo sentido à vida de qualquer pessoa, mas apaixonarmo-nos por uma acção pode ser extremamente penalizador para o investidor e comprometer o seu sucesso nos mercados financeiros.

"Não te quero sequer ver. Amo-te muito. Não há nada que se possa fazer. Tudo é a mesma coisa que nada e nada me apetece senão estar assim contigo. Sem te ver."

(in "Muito, meu amor", Pedro Paixão)

Um grande amor pode ser entusiasmante e dar um novo sentido à vida de qualquer pessoa, mas apaixonarmo-nos por uma acção pode ser extremamente penalizador para o investidor e comprometer o seu sucesso nos mercados financeiros.

Por mais estranho que possa parecer, frequentemente, os investidores criam relações sentimentais com as acções. Este género de sentimentos geralmente acaba por lhes trazer sérios dissabores pois, por instantes, perdem a noção de qual é o primordial objectivo de um investimento no mercado de capitais: Ganhar dinheiro.

Ou porque adoram os serviços que a empresa lhe presta ou porque no passado essa acção lhe proporcionou chorudos ganhos, alguns investidores apaixonam-se por uma determinada acção. Isto leva-os a tomarem as suas decisões de investimento, relativamente a esse título, mais com o coração do que com a cabeça, o que costuma levar a tomar decisões precipitadas.

Um dos erros geralmente cometidos por quem se apaixona por uma acção é não a vender na altura certa. Muitas vezes, racionalmente, o investidor acredita que chegou a altura certa para vender a acção, mas a sua ligação sentimental com esse título impede-o de vender, desrespeitando o seu método, o que costuma produzir maus resultados.

Há alguns meses atrás recebi um e-mail de um leitor que abordava essa questão e do qual vou transcrever parte do conteúdo pois ilustra bem como pode ser doentia e prejudicial esta relação de enamoramento por uma acção: " Adoro a Sonae.com. É uma acção que me tem dado muito dinheiro e que penso ser uma das melhores do nosso país. Comprei-a a 5,2 euros e mantive-a em carteira durante um mês até a vender a 6,2 euros pois achei que a acção iria cair. O meu raciocínio estava certo pois, depois de uma subida rápida, passado umas sessões começou a cair, só que acredite que não me estava a dar prazer nenhum estar a olhar para as cotações sem a ter em carteira. Estava impaciente e recomprei-a a 6 euros. Agora já caiu cerca de 30% desde aí que era o valor que eu achava que iria corrigir."

Penso que este e-mail reflecte bem o perigo de nos apaixonarmos por uma acção. Tal como no amor entre humanos, há a possibilidade de tal se tornar uma obsessão que nos faz fechar os olhos numa cegueira total, impedindo-nos de ver a realidade tal como ela é.

Obviamente, o inverso também é perigoso, ou seja, criar uma relação de ódio com um determinado papel - ou porque tem razões de queixa da empresa ou porque no passado teve fortes prejuízos com a acção – costuma levar alguns investidores a perderem excelentes oportunidades de negócio, por se recusarem a comprar uma determinada acção. Alguns chegam inclusivamente a abrir posições curtas sobre a acção (tentando ganhar dinheiro com a queda do título mas podendo perder dinheiro caso ele suba) quase numa atitude de vingança.

Separar as emoções dos investimentos é um princípio fundamental nos mercados financeiros. Como sempre gosto de frisar, mais do que a tendência dos mercados, a sua volatilidade ou o seu carácter imprevisível, aquilo que verdadeiramente dificulta o sucesso dos investidores em Bolsa é a capacidade para controlarem as suas próprias emoções.

Recordo-me, há muitos anos atrás, ter sido pessimamente atendido num dos maiores bancos da nossa praça e depois ter ganho uma aversão tal ao título que nunca mais fez parte da minha carteira, fazendo com que eu desperdiçasse óbvias oportunidades de negócio. Penso que são estas lições que nos fazem repensar a nossa forma de estar no mercado e se conseguirmos aprender com os nossos erros estamos a dar passos em frente rumo ao sucesso neste fascinante mundo dos mercados financeiros.

Paixões e amores podem dar histórias muito interessantes e fazerem os seres humanos muito felizes mas nunca no mundo da Bolsa.

Fonte: Jornal de Negócios

O optimismo cega

|

Ulisses Pereira - Caldeirão de Bolsa

O optimismo cega


Um dos grandes problemas de muitos investidores é o seu excesso de optimismo. Eu atrevo-me a dizer que muitos dos investidores têm um touro cego dentro deles. Para os menos familiarizados com estas metáforas dos mercados, recordo que os touros simbolizam os investidores que acreditam nas subidas dos mercados e os ursos defendem as quedas.

"There are two sides to everything. But there is only one side to the stock market, and it is not the bull side or the bear side, but the right side."

Jesse Livermore

Um dos grandes problemas de muitos investidores é o seu excesso de optimismo. Eu atrevo-me a dizer que muitos dos investidores têm um touro cego dentro deles. Para os menos familiarizados com estas metáforas dos mercados, recordo que os touros simbolizam os investidores que acreditam nas subidas dos mercados e os ursos defendem as quedas.

Será você um touro completamente irredutível e cego? Quantas vezes, ao longo da sua vida de investidor, ignorou claros sinais de fraqueza dos mercados e manteve um optimismo completamente despropositado? Quantas vezes ouviu ou leu opiniões pessimistas sobre o mercado e o primeiro pensamento que lhe ocorreu foi "Este tipo está a ser tendencioso"? Quantas vezes, depois de comprar uma acção, fez as contas a quanto poderia vir a ganhar e nem sequer pensou em quanto poderia perder? Quantas vezes, ao ver as suas acções caírem, pensou que continuava certo mas o mercado é que estava errado? Se respondeu "Muitas vezes" a várias destas questões, então é muito provável que seja um touro cego.

Há muito mais investidores deste género do que aqueles que você imagina. É uma tendência dos investidores que lhes costuma causar grandes dissabores. Geralmente, ficam quase hipnotizados pelas acções e - quando elas começam a cair - não querem acreditar que a queda esteja para durar e ficam agarrados às acções, convictos de que o mercado está errado e que rapidamente voltará ao caminho que eles consideram natural e lógico: O caminho das subidas.

Será que os touros cegos não têm cura? Eu acredito que sim. Normalmente, são curados através de uma sucessão de perdas que os fazem abrir os olhos mas, infelizmente, a maior parte das vezes as feridas (leia-se "perdas") já são tantas que a cura já não o salva de um triste fim (leia-se "perder tudo"). Contudo, acho que há algumas coisas que um touro cego pode fazer de forma a tentar modificar-se e tornar-se um investidor racional:

- Ler opiniões negativas: Ler opiniões negativas em relação ao mercado é essencial para que se consiga aperceber dos argumentos contrários aos seus. Mas não basta ler. É imperioso que se consiga evitar a tentação de olhar de soslaio para as opiniões que são opostas às suas. Obviamente que podem discordar e até é natural que isso aconteça, mas quando começar a disparar frases como "O que ele quer é que as acções caiam para ele comprar" em vez de apresentar contra-argumentos, é sinal que ainda não está a ler as opiniões contrárias às suas da forma que lhe permitirá evoluir.

- Inverter os gráficos: Colocar os gráficos de " cabeça para baixo" antes de os analisar pode parecer ridículo, mas acreditem que é um método capaz de o fazer tirar conclusões surpreendentes. Os touros cegos olham para um gráfico e chegam sempre à conclusão que o caminho é de subida. No fundo, quase que se torna um pensamento viciado que termina sempre com os seus olhos direccionados para o topo do gráfico como que imaginando as cotações a dirigirem-se para lá. Ao inverter-se o gráfico, um touro cego está tão rotinado a apontar o caminho das subidas que será tentado a fazer o mesmo no gráfico. E, nessa altura, perceberá que afinal o sentido do mercado é mais incerto do que lhe parecia.

- Estabelecer um cenário que o deixaria pessimista: Ao criar este género de cenários o touro cego está não só a comprometer a sua opinião futura mas também a fazer uma avaliação no presente quanto às coisas que podem correr mal no mercado. Muitas das vezes, os touros cegos repetem, incessantemente, os seus argumentos sem se darem ao trabalho de os colocar em causa ou de verificar se eles têm condições para se manterem válidos, pelo que é muito importante que eles definam o que os fará mudar de opinião. Mesmo que haja uma probabilidade muito grande de que, caso esse hipotético cenário se verifique, os touros cegos arranjem uma qualquer desculpa para manterem a sua opinião optimista...

- Ter a possibilidade de ganhar dinheiro com as quedas: Uma das razões mais fortes para que a maioria dos investidores sejam touros cegos prende-se com o facto deles só saberem negociar acções, o que apenas lhes permite ganhar dinheiro com as subidas. Contudo, hoje em dia é tão fácil ter acesso a outros instrumentos financeiros que permitem ganhar dinheiro com as quedas que ficar limitado às acções torna-se demasiado redutor. Futuros, "warrant`s" e "CFD`s" são apenas alguns exemplos de instrumentos financeiros que permitem aos investidores ganharem dinheiro com as quedas. Quando um investidor deixa de poder apenas lucrar com as subidas, podendo também ganhar dinheiro com as quedas, torna-se menos tendencioso na forma como olha para o mercado, pois perspectivar quedas deixa de ser um entrave a ganhar dinheiro.

Não se pense, porém, que só os touros são cegos. Há ursos cegos e acreditem que conseguem ser ainda mais arrogantes e teimosos que os touros cegos. Tal deve-se ao facto de estarem em minoria e terem que suportar a pressão esmagadora da massa de touros cegos que fazem ouvir os seus argumentos vociferando bem alto. Mas, na prática, as probabilidades de um urso cego perder dinheiro são tão grandes como as de um touro cego perder dinheiro, ou seja, são elevadíssimas!

Touros e ursos têm hipóteses de ganhar dinheiro no mercado, desde que não fechem os olhos à realidade e assumam que podem estar enganados. Porque nos mercados não há verdades absolutas. E, se se sentir um camaleão ao despir o fato de urso e vestir o de touro diversas vezes, não se preocupe. Provavelmente, já está despido de preconceitos e capaz de ter sucesso nesta selva dos mercados financeiros.

Fonte deste artigo: http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=313828

Espelho de nós

|

Ulisses Pereira - Caldeirão de Bolsa
Espelho de nós
Se tivesse que escolher a frase que mais me cativou ao longo dos vários anos que dedico aos mercados financeiros, esta seria sem dúvida a eleita. Franzi o sobrolho quando a li pela primeira vez, olhando para esta afirmação mais como uma tentativa de dizer algo surpreendente do que verdadeiro. No entanto, quanto mais conheço os mercados e a mente humana, mais concordo com esta frase e a considero genial na forma de caracterizar o papel de cada investidor perante o mercado.

“Todos têm aquilo que querem do mercado”
Ed Sekyota

Se tivesse que escolher a frase que mais me cativou ao longo dos vários anos que dedico aos mercados financeiros, esta seria sem dúvida a eleita. Franzi o sobrolho quando a li pela primeira vez, olhando para esta afirmação mais como uma tentativa de dizer algo surpreendente do que verdadeiro. No entanto, quanto mais conheço os mercados e a mente humana, mais concordo com esta frase e a considero genial na forma de caracterizar o papel de cada investidor perante o mercado.

Levada a ideia da frase ao limite, poderíamos concluir que só perde dinheiro no mercado quem quer. Parece absolutamente irrealista mas não o é. Muitos dos investidores procuram muito mais coisas no mercado do que ganhar dinheiro e, por isso, muitas vezes o facto de perderem dinheiro não quer dizer que não obtiveram aquilo que pretendiam.

No fantástico livro “Market Wizards”, em que Jack Schwager entrevista os maiores “traders” mundiais, Sekyota exemplifica com um caso real, numa passagem que não resisto a transcrever: “Conheço um “trader” que parecia apanhar sempre o início de todas as subidas substanciais e transformou os seus 10 mil dólares em 250 mil num par de meses. Depois, mudava a sua personalidade e perdia tudo o que tinha ganho. Este processo repetia-se com regularidade. Desde que eu comecei a negociar com ele, saindo quando a sua personalidade mudava, dobrei o meu dinheiro, enquanto ele foi à falência como era costume. Mas ele não conseguia ajudar-se a si mesmo. Não acredito que ele conseguisse fazê-lo de uma forma diferente. Ele não o queria. Tinha uma grande dose de excitação, tornava-se um mártir, conseguia a simpatia dos seus amigos e conseguia ser o centro das atenções. De certa forma, julgo que ele realmente tem aquilo que quer.”

Apesar deste ser um exemplo extremo, é muito frequente encontrar investidores que negoceiam, sobretudo, em busca de excitação e adrenalina. São muito mais do que se possa imaginar aqueles que investem nos mercados como se estivessem a comprar um bilhete para andar na montanha russa ou ver um jogo de futebol. Só que esquecem-se que aqui o bilhete pode ser muito mais caro.

Claro que, na maior parte das vezes, os investidores não têm consciência das suas verdadeiras motivações para negociarem. Quase todos acreditam que aquilo que os move é a vontade de ganhar dinheiro. Mas como pode você concluir se negoceia pela simples vontade de ganhar dinheiro ou pela excitação e a adrenalina? Experimente ficar algum tempo sem negociar. Se não o conseguir fazer, é sinal que a Bolsa é para si um vício e que está no mercado para satisfazer as necessidades que esse vício lhe proporciona, seja a emoção, a adrenalina, o risco ou simplesmente a pura diversão.

E esta incapacidade de estar, serenamente, de fora a assistir ao desenrolar do mercado reflecte-se nos resultados do investidor, pois muitas vezes são fulcrais esses períodos em que não se negoceia. Parafraseando o mítico “trader” Jesse Livermore, “Depois de passar muitos anos em Wall Street, ganhando e perdendo milhões de dólares, eu quero-vos dizer o seguinte: Nunca foram os meus pensamentos que me fizeram ganhar as grandes fortunas. Foi sempre quando eu estive sem negociar.”

Uma das grandes diferenças entre um “trader” perdedor e um “trader” ganhador é a forma como reage às vitórias e às derrotas. Um “trader”perdedor fica eufórico com os grandes ganhos e completamente deprimido com as derrotas, enquanto que um ganhador consegue controlar as suas emoções e perceber que o seu sucesso nos mercados não depende daquele negócio, mas sim da capacidade em ser consistente ao longo de vários negócios.

Um “trader” ganhador, quando sofre uma grande perda, procura tentar perceber as razões para a sua falha, de forma a poder corrigi-la no futuro. Um “trader” perdedor, pelo contrário, começa a responsabilizar outros pelas suas perdas. Analistas, jornalistas, corretores, manipuladores, CMVM, tudo serve para que o perdedor fuja às suas responsabilidades e as atire para cima dos outros.

Depois dessa perda, o “trader” perdedor muda de corretora, começa a ler outros analistas, mas esquece-se de perceber que o erro faz parte do processo de aprendizagem e que talvez devesse procurar dentro dele a explicação para esse erro.

Enquanto não conseguir mudar essa sua forma de encarar as perdas, ele nunca vai conseguir passar a ganhar dinheiro consistentemente nos mercados. Ou, como diria Sekyota, “Um trader perdedor pode fazer muito pouco para se tornar num ganhador. Um trader perdedor não se vai querer transformar. Esse é aquele género de atitudes que só os traders ganhadores têm.”

Por isso, da próxima vez que perder dinheiro nos mercados e der por si a culpar outros pelo seu insucesso, pare para pensar. Provavelmente, está mais interessado em ter razão do que em ganhar dinheiro. É sinal que ainda tem um longo percurso pela frente até ao sucesso nos mercados financeiros.

Este artigo externo ao Vencer na Bolsa foi publicado com consentimento do autor.
Fonte deste artigo: http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Opiniao&CpContentId=309803

A não perder:

Encontre facilmente o procura no seu Vencer na Bolsa - (digite a(s) palavra(s) chave):

O nosso banner (120x60):

Vencer na bolsa - Aprenda a investir e a vencer na bolsa como um profissional

Parceiro VIP:


Utilnet = Utilidades, dicas e truques, vídeos, video-aulas, fotos, programas grátis, downloads, celular,  widgets, antivírus, etc.

"Selos"